terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Big Brother começa e povão cai matando


Televisão

BBB12 começa com histeria, incitação ao sexo e campanha contra evangélica


No Twitter, Narcisa, ex-mulher de Boninho, desce a lenha na apresentação dos participantes: “Que horríveis esses VTs”. E baiana Jakeline entra na mira dos microblogueiros, que pedem sua saída


Já deu para sentir o tom do Big Brother Brasil 12. Mulheres histéricas, o poeta Pedro Bial como arauto da pegação, entre homens e entre mulheres e os velhos perfis do caubói, da facinha e do galã foram ao ar na estreia do programa nesta terça, na Globo. Os perfis de cada jogador foram tão evidenciados pela produção do programa, através das vinhetas de apresentação dos BBBs e das perguntas dirigidas por Bial às novas celebridades instantâneas do mercado, que uma delas já ganhou até torcida – contra. No fim da noite, o tópico #forajakeline pedia a saída da estudante Jakeline, evangélica que quase se desfez em lágrima ao lembrar do casal de galináceos – sim, galináceos – deixado por ela na Bahia. Essa tem tudo para sair logo no começo dos 79 dias de confinamento, que deve seguir até 27 de março.

É aí que se entende por que o BBB, da Globo, supera A Fazenda, da Record, em qualidade e popularidade – por qualidade, entenda-se evidentemente um bom entretenimento, não um debate intelectual. Diferentemente do reality rural, uma soma caótica de personagens e cenas que não chegam a compor histórias atraentes para o espectador, o programa global sabe o que quer. É o mesmo de sempre: as novelinhas de jovens sarados que formam casais, brigam ou prometem amizade eterna enquanto buscam a fama e o prêmio de 1,5 milhão de reais. Mas é isso o que o público quer, como prova a prévia do Ibope da estreia: 34 pontos – o triplo do alcançado no mesmo horário pela Record.

Os personagens do BBB12 começaram a ser construídos logo na primeira noite. Para o bem e para o mal, já que boa parte parece chata de doer. Cada participante recebeu da produção do programa um rótulo, mostrado no final da sua vinheta de apresentação. O pecuarista João Maurício, por exemplo, foi chamado de “galã”. A paulista Fabiana, escalada para substituir a desistente Fernanda Girão, foi tachada de “perua” e, de quebra, ainda ganhou de Bial a alcunha de “Fabiana fabulosa Fabiana”. A gordinha Analice, um dos quatro participantes anunciados nesta terça, apareceu de chicotinho na mão em uma vinheta que tinha tudo para terminar com um rótulo sexualmente sugestivo, mas acabou com um anódino “pop”. Mayara, a produtora paulista de filmes tipo pornô chique, foi chamada de “nerd”. O vaidoso Jonas, que venceu Rodrigão na disputa de Mister Brasil 2010, foi classificado de “gato” pela produção e de – pasmem – “pintosão” por Bial. E por aí vai. 

Claro que Bial - que entre uma vinheta e outra puxava papo com o brother recém-apresentado - não negou pérolas à plateia. A ex-dançarina Kelly, batizada de “guerreira” em seu VT, foi apresentada pelo jornalista como “um reforço cafuzo” para o “time de deusas” do BBB. “Um reforço esculpido pelos braços da miscigenação brasileira.” Já o carioca Daniel, primeiro negro a entrar para o BBB12, na noite desta terça, serviu para que Bial rebatesse as críticas à escalação do programa, que até segunda-feira só tinha brancos. “Você é a favor de cotas para negro no BBB?”, mandou o jornalista, para que Daniel então discursasse. “Não, porque acho que não tem que ter cota para nada, cara. Debaixo da pele é sangue, e sangue é vermelho.” Se continuar discursando, tem tudo para se tornar um dos malas da casa.

E os dois principais reality shows deste início de ano se cruzaram na noite desta terça-feira. Assistindo à estreia do Big Brother Brasil 12 na Globo, duas das mulheres ricas da Band, Narcisa Tamborindeguy e Brunete Fraccaroli, se puseram a comentar o programa no Twitter. Narcisa, que foi casada com o diretor do reality, Boninho, iniciou trabalhos com um básico “Ai, que loucura esse BBB”, antes de descer a lenha nas vinhetas de apresentação dos participantes – “Que horríveis esses VTs” – e dizer que gostaria de eliminar metade dos agora 16 participantes. No que ela tem toda razão. Não só a baiana Jakeline merece campanha para deixar logo o BBB. Boa parte da turma poderia chispar logo de lá com seus rótulos debaixo do braço.


Postado no site da VEJA