segunda-feira, 21 de maio de 2012

João Revolta - Pit Bull COMBATE!

Rinha no Brasil:

Por Geuza Leitão

1. Crueldade; 2. Descaso e omissão; 3. Apostas; Treinamentos; 4.Clandestinidade; 5. Incentivo ao ataque; 6. Controle da importação, venda e procriação de cães da raça pit bull.
BRIGA DE PIT BULL 
*Geuza Leitão 



No Brasil, brigas de cães da raça pit bull e outras raças consideradas ferozes, acontecem na clandestinidade, em casas particulares. As apostas correm soltas sem que os organizadores sejam incomodados pela polícia ou por qualquer outro órgão a quem incumbe promover o cumprimento das leis e zelar pelos bons costumes. A luta é cruel deixando os bichos mortos ou estraçalhados. 
Os animais treinados para se confrontarem e ficarem agressivos, são utilizados para campeonato e apostas e vivem abrigados no escuro, deitados sobre os próprios excrementos. Para descarregar a tensão constante eles mordem a correia que os aprisionam. O treinamento é terrível: antes de tudo os cães são obrigados a correr durante duas horas por percursos longos ou sobre esteiras rolantes. São obrigados a vencer obstáculos e, para fortalecer os músculos do maxilar, são ofrçados a puxar com os dentes charretes com 800 quilos de ferro. Isto durante horas. 
O treinamento é carregado de agressões e incentivo ao ataque. Além dos animais viverem aprisionados em cubículos e afocinhados, passam por seções de exercícios forçados e, para ficarem mais ferozes e sanguinários, desde filhotes se alimentam de pequenos animais vivos (cães e gatos), que recebem como recompensa depois do treinamento cotidiano. O cão é treinado para agredir e matar depois de receber determinados sinais, tais como ter uma ponta de cigarro apagada em sua testa. Tal treinamento consiste em colocar dois cães pit bull terrier, previamente treinados, para se confrontarem em uma luta sangrenta. A regra é simples: vence o animal que sobreviver a 30 minutos de assalto. Se ambos desistirem o juiz decide quem venceu. A briga dura de dois a três combates. O cão campeão, depois de costurado, é preparado para novo combate, que costuma ser fatal, pois o pit bull ataca a vítima mordendo sua jugular e a solta depois de morta, se não houver intervenção. A capacidade de nunca retroceder por medo, desenvolvidos na raça através de seleção da criação, prepara um exemplar de ?boa linhagem? para continuar lutando por duas ou mais horas, independentemente da desidratação, exaustão, fadiga muscular ou qualquer outra sensação de desgaste. Dependendo de sua disposição para lutar, um cão pode valer até U$ 85.000. O critério de seleção de um cão é sempre testado em um combate. 
Projetos de lei prevêem, em todo o País, o controle da importação, venda e procriação desses cães e de todos cuja raça seja considerada agressiva. Contudo, a agressividade não está no animal e sim atrelada ao tipo de ?educação? que o treinador ou o proprietário lhe repassam. Um pit bull nas mãos de uma pessoa responsável não tem nenhum desejo de lutar e é dócil e fiel companheiro. Mas, acontece que, a menor demonstração de agressividade, seus proprietários se assustam condenando-os a viver em correntes curtas e cubículos ou desfazem-se dele. 
Por esta razão, a grande maioria das sociedades protetora de animais do Brasil já se manifestou a favor de projetos de lei que tramitam no país regulamentando a criação dessas raças e o seu controle populacional. O primeiro projeto de lei em defesa desses animais, foi em 1922, na Inglaterra, de autoria de Richard Martin, que pretendia proibir as brigas entre pit bull e touros, que cresceram muito depois de 1835, quando se proibiram as arenas de touros. Não logrou aprovação. 
Quando em São Paulo e Rio de Janeiro foram aprovadas leis municipais de controle populacional de cães e gatos de rua e de propriedade de pessoas de baixa renda, isto não suscitou protestos. Portanto, somos levados a concluir que os protestos contra o controle populacional de pit bull são movidos por interesses econômicos. 
Alegam alguns advogados que projetos de lei que pretendam controlar a importação, a venda e a procriação destes animais, ferem o direito de propriedade. Isto porque não prevêem o confisco ou abate dos animais. Tais projetos pretendem impor uma limitação administrativa no exercício do direito de propriedade, o que não gera direito a qualquer indenização. Mesmo porque segundo a Constituição Federal, a propriedade tem uma função social e o direito à mesma deve ser cotejado com os demais direitos nela contidos, como os direitos dos animais e a segurança da população. 

*Presidente da União Internacional Protetora dos Animais - Uipa 




Embora cada vez mais repudiadas pela sociedade e já tipificadas como crime no Brasil pela Lei de Crimes Ambientais, a rinha de cães ainda persiste em alguns quinhões do país e do mundo, sendo uma notória forma de pessoas se divertirem por meio de violência gratuita entre inocentes. Numa escravidão ainda mais nítida do que a imposta aos antigos gladiadores romanos, aproveita-se o açulado instinto violento de cães já incitados à agressividade para explorá-los nessas rinhas, de onde saem muito feridos ou mesmo mortos.
Os pit-bulls, especificamente, são hoje o símbolo maior – e as vítimas mais notáveis – dessa exploração violenta com fins de entrenimento. Sua forçação ao atributo involuntário de lutadores tem raizes na Antiguidade, quando seus ancestrais molossos eram usados em guerras e também nas primeiras rinhas.


A chegada na América

Os ancestrais imediatos do pit bull foram os pit fighting dogs importados da Irlanda e Inglaterra a partir de meados do século XIX.
Na América, a raça começou a divergir ligeiramente do que estava sendo produzido naqueles países de origem. Os cães não foram utilizados apenas para rinhas, mas também como catch dogs -- presa de gado e porcos desgarrados -- e como guardas da propriedade e da família. Daí começaram a ser selecionados cães de maior porte, mas esse ganho de peso não foi muito significativo até cerca de 20 anos atrás.
Os cães irlandeses, os famosos Old Family Dogs, raramente pesavam acima de 12kg e cães de 7kg não eram raros. O anteriormente citado LLoyd's Pilot pesava 12kg. No início do século, eram raros os cães acima de 23kg. De 1900 a 1975, houve um aumento pequeno e gradual no peso do pit bull, sem que houvesse perda de performance no pit.
Nas mãos dos criadores americanos, o pit bull se popularizou a ponto de ser símbolo dos Estados Unidos na 1ª Guerra Mundial. Homens como Louis Colby, cuja família mantém até hoje uma tradição de 109 anos, C.Z. Bennet, fundador do United Kennel Club (UKC) e Guy McCord, fundador da American Dog Breeders Association (ADBA), foram fundamentais na consolidação da raça.
Sua popularidade atingiu o auge na década de 30, quando o seriado infantil Little Rascals era estrelado por Pete, um pit bull: era o cachorro favorito de 10 entre 10 crianças americanas. Esta projeção levou finalmente o American Kennel Club (AKC), após anos de pressão a reconhecer o pit bull com o nome de staffordshire terrier, para diferenciá-lo dos cães voltados para rinhas. Este cão é hoje o american staffordshire terrier, tendo o "american" sido acrescido ao nome original em 1972 para evitar confusão com o staffordshire bull terrier.
Mas agora, quando a vasta maioria dos APBT não é mais selecionada para a performance tradicional no pit (compreensível, já que o processo seletivo em si -- o combate -- é crime), o axioma americano "bigger is better" passou a valer para vários neófitos que se tornaram criadores, aproveitando a popularidade da raça nos anos 80.
Isto resultou num aumento vertiginoso no tamanho médio do pit bull, muitas vezes de forma desonesta, pelo cruzamento com raças como mastiff, mastim napolitano e dogue de bordeaux. Alguns autores, como Diane Jessup, sustentam que o american bulldog nada mais é do que a fixação de linhagens maiores de pit bull.
"outra modificação, esta menos visível, que vem sendo introduzida desde o século XIX são os estilos de luta geneticamente programados (tais como especialistas em orelhas, patas e focinho), função do nível de competitividade que as lutas atingiram.
A despeito de tais modificações, a raça tem mantido uma notável continuidade por cerca de 150 anos. Pinturas e fotos do século passado mostram cães idênticos aos dos dias de hoje. Embora pequenas diferenças possam existir entre algumas linhagens, no geral temos uma raça que, ao contrário de muitas outras ditas "reconhecidas", está consolidada há mais de um século.