segunda-feira, 14 de outubro de 2013

No Maranhão creches alimentam crianças com farinha e café

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Mais de 100 creches que fazem parte da rede municipal de ensino de São Luís - Maranhão, a terra encantada da família Sarney, estão sem receber os recursos que lhes deveriam ser repassados pela prefeitura desde o início do ano. Além das crianças sem comida e no mesmo período, professores não recebem seus salários. Tudo porque o dinheiro do governo federal relativo a tais despesas está parado nos cofres da prefeitura, que alega faltarem os documentos exigidos por lei para sua liberação, o que é contestado pelos diretores das instituições envolvidas, que sustentam já ter apresentado toda a documentação necessária. No meio desse jogo de empurra, além dos prejuízos à educação, crianças inocentes ficam sem a merenda que na maioria dos casos é o principal alimento diário. Sem outra opção, uma mistura de café com farinha é servida para as crianças. "Engana a fome", diz Euzébio Coimbra, o diretor da creche União dos Moradores da Vila Jambeiro.

A situação da instituição é caótica. Além da falta de alimentos para a criançada, seus 8 professores trabalham sem receber um centavo sequer desde o início do ano. Um sacrifício feito para não deixar na mão as 160 crianças ali ali matriculadas, que também amargam problemas estruturais, já que a hora do recreio é curtida em um quintal de chão batido.


"Elas (as crianças) sofrem demais. Quando chegam pela manhã eles perguntam o que é a merenda de hoje? Dói que a gente até chora - disse Coimbra.

Segundo ele, uma reforma até foi inciada nos fundos da creche, onde seriam construídos novos banheiros e um pátio com o piso adequado. Mas sem o repasse do dinheiro que vem do governo federal, a obra foi paralisada. A creche já tem até mesmo um projeto para receber do governo federal  um laboratório de informática, o que não pode seguir adiante em razão da falta de recursos para pagar professores que vão ensinar as crianças a mexer nas máquinas.

União dos Moradores da Vila Jambeiro é uma das 157 creches comunitárias que não receberam os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento para a Educação Básica - FUNDEB em razão da suposta falta de documentos. Em uma outra creche do bairro Olho d’Água, cuja direção garante ter cumprido toda a burocracia, os recursos também não chegaram, situação que prejudica 140 crianças, hoje dependentes de doações para se alimentar.

- Aqui hoje tem frango, que também foi doação da igreja. E essa doação já até acabou. Não está vindo mais estes dias. Nós estamos preocupados. O lanche foi arroz branco e frango - disse uma das funcionárias.

Na creche Anjo da Guarda a história é a mesma. Sem o dinheiro do FUNDEB, 19 professores trabalham sem receber.

- Na verdade a gente está trabalhando mais por amor à profissão, porque o salário mesmo já está há 10 meses sem sair. Muitas das vezes volto a pé para casa, porque não tenho como pagar passagem. É uma situação muito complicada, porque também tenho o sustento de minha família - explica a professora Cleonice Torres.

Enquanto isso, mesmo depois das investigações iniciadas pela Polícia Federal há cerca de um ano, na chamada Operação Monte Carlo, a Delta Construções faturou R$ 877 milhões em contratos com a União, 12 Estados e o Distrito Federal, segundo dados disponíveis em portais de transparência.

Fontes: G1, Estadão, Blog Dando Pitacos